17 de novembro de 2018

Uma carta aos motivos do vazio


O sol está forte, mas sinto como se estivéssemos em tempestade. Queria que estivesse aqui, poder te abraçar e dizer coisas fofas e frívolas para te animar e te fazer feliz. Nós éramos uma dupla invencível, nós dois contra o mundo, não é isso que falam por ai? Nós éramos assim. É, éramos assim. Um sorria para o outro, e as forças se renovaram, talvez fosse também o brilho dos olhos, esse era nosso charme. Podíamos estarmos destruídos por dentro, contudo, em nossas muitas risadas, os olhos brilhavam e ora ou outra se fechavam.

, você sempre vai morar no meu coração, sei que Deus quis assim. Só… não sei como deixar meu coração conformado com sua perda. Tenho você na minha memória, como uma lembrança de álbuns de fotografia. Contigo eu podia fazer tudo, falar tudo, pois era o meu confidente. Não importa se eu estava errada, sempre estava do meu lado para me defender e receber as próprias armas nas costas. Não tínhamos um mundo separado, nós tínhamos um mundo de nós dois. E era lindo, cheio de vida e alegria.

Mesmo com dor e sofrimento no lado de fora, não as permitimos adentrar no nosso paraíso. O paraíso só comigo é vazio. Não sei o que é mais pior. Viver nele sem você, ou encarar a realidade sem te ver. Lembro-me de quando contaram que você morreu. A dor foi pior que facada, meu peito doeu, eu paralisei e meus olhos (esses dilatados) não se fechavam ou se moviam por muitos minutos, as lágrimas as guardes, ofereci apenas os olhos molhados.

Estava difícil de respirar, acho que o chão rodou e me retirei dali, fui ficar a sós com a dor. Mas não consegui me acostumar a ela. Me perguntei se realmente isso vinha a acontecer mesmo, você morreu? Morte. Essa palavra pesava na minha língua de modo que até em pensamento me apunhalava e arrancava de mim todo o ar dos pulmões. Eu estava tremendo no dia seguinte, quando me recordava do dia anterior. Fiquei mais tempo na cama, e me perguntei se foi só sonho, ou melhor, pesadelo. Mas no meu quarto estava tudo igual que fiquei mais arrasada do que quando soube. Percebi que não havia como voltar atrás.

Uma fotografia de nós dois, estava ao lado da minha cama. Era meu aniversário. Você era o tipo de Papai Noel particular, tudo que eu queria me dava, embora nada comprava nossa alegria de estarmos juntos, mas era sua meta me fazer sorrir a cada minuto contigo. Meu peito ainda doía e dói a cada dia. E sabe o que mais? Eu estava morando tão longe, no último ano, que não pudemos ir te visitar.
Mas não que nossa amizade e união havia morrido com o nosso afastamento. Cada vez que nos víamos eu recebia presentes acumulados e muito de sua atenção. Eu fui verdadeiramente feliz com você na minha vida.



- Mel

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